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Coluna Junieston Silva

Coluna Junieston Silva

Grupo Jorge Batista: antes do legado, vem a primeira venda

  • Junieston Silva - consultor empresarial e CEO da Gestor86
  • 09/09/2026 às 17h13
  • Tempo de leitura: 7 min

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Antes dos caminhões, dos centros de distribuição, dos milhares de colaboradores e de uma estrutura empresarial de grande porte, houve uma primeira venda. A trajetória atribuída ao empresário Jorge Batista, iniciada ainda jovem em Floriano, no interior do Piauí, ajuda a lembrar uma regra elementar dos negócios. Em meio a tantas discussões sobre tecnologia, inovação e acesso a capital, às vezes essa regra fica em segundo plano. Nenhuma empresa cresce sem clientes.

Segundo o relato sobre sua trajetória, Jorge Batista começou a fazer pequenos negócios em 1915, aos 18 anos. O empreendimento que nascia de forma modesta ganharia escala ao longo das décadas, com atuação em diferentes segmentos, entre eles atacado, varejo, materiais de construção e combustíveis.

Os números apresentados sobre a operação em 2024 dão a dimensão dessa transformação: mais de 2 mil colaboradores, 310 caminhões, 362 representantes comerciais e 32 mil metros quadrados de área de armazenagem. O caso permite observar os diferentes estágios pelos quais passa uma empresa que consegue crescer e permanecer no mercado.

 

 

No começo, vender é uma questão de sobrevivência. O empreendedor precisa encontrar clientes, fazer o dinheiro entrar e provar que existe mercado para aquilo que oferece. À medida que o negócio avança, a venda deixa de ser apenas uma habilidade individual do fundador e passa a depender de processos, equipes, logística, tecnologia, gestão financeira e capacidade de entender as mudanças do consumidor.

Crescer e permanecer são desafios diferentes

Uma empresa pode aumentar vendas, contratar trabalhadores, ampliar instalações e conquistar novos mercados. Para atravessar gerações, no entanto, precisa dar outro passo: deixar de depender exclusivamente de quem a criou. É quando entram em cena governança, profissionalização, sucessão, cultura empresarial e capacidade de formar novas lideranças.

Esse talvez seja um dos aspectos mais interessantes da história de empresas familiares longevas. O patrimônio físico é apenas uma parte do legado. Galpões, veículos, lojas e estoques podem ser contabilizados. Mais difícil de medir é a capacidade de transformar o conhecimento acumulado pelo fundador em uma organização que continue funcionando quando ele já não estiver à frente das decisões.

No Brasil, onde grande parte das empresas nasce pequena, essa reflexão ganha ainda mais relevância. Sobreviver aos primeiros anos já é uma conquista. Crescer de forma consistente é outra. Conseguir atravessar décadas e gerações exige que o empreendimento desenvolva estruturas capazes de sobreviver também às mudanças econômicas, tecnológicas e de comportamento do consumidor.

Por isso, a história de Jorge Batista pode ser lida para além dos números alcançados posteriormente. Ela começa onde começam praticamente todas as histórias empresariais: alguém identifica uma oportunidade, oferece um produto ou serviço e consegue convencer o primeiro cliente.

Capital é importante. Gestão é indispensável. Tecnologia aumenta produtividade. Pessoas fazem a operação funcionar. Planejamento permite olhar adiante. Mas nenhum desses elementos elimina a necessidade mais básica de qualquer negócio: encontrar quem esteja disposto a pagar pelo valor que a empresa entrega.

No fim das contas, talvez uma das maiores conquistas de um empresário não seja apenas vender muito ou acumular patrimônio. É construir algo que continue vendendo, empregando, investindo e contando sua história quando o fundador já não estiver ali para fazer a próxima venda.

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Fonte: Junieston Silva - consultor empresarial e CEO da Gestor86

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