Uma ideia diferente, por si só, não garante um negócio inovador. Para que uma inovação tenha espaço no mercado, ela precisa resolver um problema real e encontrar clientes dispostos a pagar pela solução.
Essa foi a principal mensagem apresentada pelos empreendedores Marcus Linhares e Gildário Lima, autoridades do Piauí em startups, durante o encontro “Conexões do Futuro”, realizado pela organização Cajuína Tech, de Teresina, na última quarta-feira (30).
Marcus Linhares, mentor, palestrante e cientista de negócios inovadores, destacou que a inovação precisa resolver um problema de forma que faça com que o consumidor (seja empresa ou pessoa física) pague por ela.
“Não adianta eu ter uma ideia dita inovadora se ninguém está disposto a pagar por ela para solucionar um problema. A inovação é a geração de nota fiscal, ela tem que ser um negócio [lucrativo]”, explicou ele, pós-doutor em inovação.
A provocação de Linhares é uma reação à onda de criação de startups que não conseguem virar empresas, o que ele chama de “romantização da inovação”. Na prática, segundo Linhares, muitos projetos não conseguem se transformar em empresas porque desenvolvem soluções sem antes identificar uma necessidade real do mercado.
Leia também
Como o Piauí evoluiu seu ecossistema de inovação nos últimos dez anos
Piauí sobe em ranking de inovação, mas tem dificuldade de transformar ciência em negócios rentáveis
Setor de inovação no Piauí vê Avexa Hub como passo importante, mas aponta desafios
Linhares também defendeu que uma inovação relevante deve provocar mudanças no mercado. “Para haver inovação, tem que haver disrupção. E o que é disrupção? É quando muda o mercado. Não é só criar um aplicativo”, defendeu.
Seguindo o mesmo raciocínio, o empresário Gildário Lima, dono da Tron Robótica Educativa, acrescentou que a inovação também passa por geração de valor no seu negócio. “O dinheiro é do cliente. O empreendedor precisa se virar para fazê-lo investir na sua ideia, produto, solução”, comentou.
Gildário acrescentou ainda que o mercado é competitivo em todo lugar, seja no Piauí, em São Paulo, ou na Irlanda. “Em todo lugar é uma selva para ganhar dinheiro. Empreender não é romantismo”, defendeu.
Negócios tradicionais e novos mercados
Exatamente por ser desafiador, empreender em negócios tradicionais apresenta menos riscos do que empresas inovadoras. Para Gildário, isso ocorre porque, nos negócios tradicionais, o empreendedor normalmente parte de uma necessidade que já existe e de um mercado conhecido.
“Acredito que 90% das pessoas que começam a empreender apostam na solução de um problema que já existe. Ele tem menos riscos e resultado mais rápido”, comentou.
Gildário resolveu apostou em um caminho diferente. “Criam um mercado que não existe, desenvolvendo algo do zero e agregando valor”, disse.
Campus Party Piauí e inteligência artificial
Durante o encontro, os empreendedores presentes assistiram a uma breve apresentação sobre a terceira edição da Campus Party Weekend no Piauí, que deve acontecer em novembro deste ano.
Ainda no evento, a Ora Telecom, empresa de banda larga do Piauí, explicou como a inteligência artificial tem sido usada para otimizar processos, reduzir custos e aumentar a produtividade.
Siga o Piauí Negócios nas redes sociais







Comentários