Uma cidade não precisa ter praias, cachoeiras ou outros grandes atrativos naturais para se transformar em um destino turístico. A experiência de Gramado (RS), um dos principais polos turísticos do Brasil, foi apresentada como exemplo para Teresina durante o Workshop Fortalecimento da Governança do Turismo no Polo Teresina, realizado nessa terça-feira (22), no Sesc Cajuína, na capital piauiense.
Promovido pela Fecomércio Piauí e pela Associação Brasileira de Turismólogos e Profissionais do Turismo (ABBTUR), o encontro reuniu representantes de municípios, instituições, empresários e profissionais do setor para discutir estratégias de gestão e desenvolvimento da atividade turística.
Um dos principais convidados foi o prefeito de Gramado, Nestor Tissot. Segundo ele, a experiência do município gaúcho mostra que destinos turísticos também podem ser construídos a partir de planejamento, eventos, infraestrutura, organização urbana e parceria entre os setores público e privado.
“Gramado é um exemplo disso, de uma cidade sem atrativos naturais e que se tornou um polo turístico nacional. Nós construímos tudo lá, nós fabricamos tudo”, afirmou.
Tissot destacou que Gramado é um município relativamente jovem e não dispunha, no início de sua trajetória turística, de grandes atrações naturais ou de um patrimônio histórico consolidado capaz de, sozinho, atrair visitantes.
A alternativa foi criar motivos para que as pessoas fossem à cidade. Entre as iniciativas citadas pelo prefeito está o Festival de Cinema de Gramado, criado há mais de cinco décadas e que ajudou a projetar nacionalmente o município.
“Fizemos um festival de cinema que deu notoriedade para a cidade há 54 anos, com muita dificuldade sempre. Mas o que mais eu acho que deu resultado foi a insistência, digamos assim, a teimosia, no bom sentido, para continuar o projeto turístico”, disse.
Continuidade além das gestões
Para Tissot, um dos fatores determinantes para o desenvolvimento de Gramado foi a continuidade das políticas voltadas ao turismo. O projeto, segundo ele, não ficou restrito a uma administração municipal ou grupo político, permitindo que iniciativas fossem mantidas e aperfeiçoadas ao longo dos anos.
Essa continuidade também estimulou investimentos privados em setores como hotelaria, gastronomia e serviços. O prefeito ressaltou que o empresariado percebeu no crescimento turístico uma oportunidade econômica e passou a participar do processo.
“Com o planejamento, interesse público e privado, o negócio pode acontecer”, afirmou.
Além da criação de atrações, Tissot apontou características da própria gestão urbana como importantes para a experiência dos visitantes. Segurança, limpeza, organização e cuidado com os espaços públicos fazem parte, segundo ele, da estratégia adotada pelo município.
O desenvolvimento do turismo também não significou, segundo o prefeito, abandonar outras atividades econômicas. Ele citou a agricultura familiar como exemplo de setor que continuou se desenvolvendo paralelamente ao crescimento da atividade turística.
Experiências para o Polo Teresina
Embora Teresina tenha características diferentes das de Gramado, o exemplo apresentado durante o workshop dialoga com um dos desafios da capital piauiense: ampliar sua atividade turística em um ambiente predominantemente urbano e no qual segmentos como negócios, eventos, gastronomia e serviços têm papel relevante.
O curador do workshop, Alex Albuquerque, explicou que a proposta do encontro foi justamente aproximar gestores do Polo Teresina de experiências desenvolvidas em outras regiões do país.
“O evento fortalece o turismo do Polo Teresina, com mais de dez secretários que compõem esse polo, para que a gente possa mostrar experiências e novidades no turismo”, afirmou.
Para o presidente em exercício da Fecomércio Piauí, Denis Cavalcante, a integração entre poder público, entidades e iniciativa privada é uma das condições para avançar no desenvolvimento do setor.
“A importância desse workshop é, primeiro, unir todos os atores que fazem o turismo aqui no nosso estado para que a gente possa aprender com quem já faz isso há muito tempo, quem já trabalha de forma exemplar o turismo, a exemplo da cidade de Gramado”, disse.
Segundo Cavalcante, reunir esses diferentes agentes em um mesmo espaço permite trocar experiências e discutir caminhos para ampliar a atividade turística no Piauí.
Piauí quer ampliar faturamento e empregos
Durante o encontro, o secretário de Turismo do Piauí, Daniel Oliveira, apresentou números e metas do setor no estado. Segundo ele, o turismo movimenta atualmente mais de R$ 600 milhões e gera mais de 30 mil empregos.
A meta apresentada pelo secretário é superar R$ 1 bilhão em faturamento anual e alcançar mais de 60 mil empregos diretos e indiretos nos próximos anos.
“O turismo hoje no Piauí gera mais de 30 mil empregos, gera mais de R$ 600 milhões de faturamento. Nós queremos crescer ainda mais nos próximos anos, superar a casa de R$ 1 bilhão por ano de faturamento e superar mais de 60 mil empregos diretos e indiretos gerados no estado”, afirmou.
Oliveira acrescentou que a estratégia passa por considerar as características específicas de cada região turística do Piauí. A intenção é fortalecer as vocações de cada polo e, ao mesmo tempo, ampliar o número de visitantes e a participação da atividade turística na economia estadual.
O Workshop Fortalecimento da Governança do Turismo no Polo Teresina reuniu ainda outros gestores e representantes do setor do Piauí e de diferentes estados brasileiros. A proposta foi usar experiências de destinos já consolidados para discutir modelos que possam ser adaptados à realidade local, com maior integração entre municípios, entidades, poder público e iniciativa privada.
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