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Propriedade intelectual

Piauí precisa aproveitar melhor seu potencial para gerar riqueza, defende presidente do INPI

Júlio César Moreira destacou que as empresas precisam usar a propriedade intelectual para gerar mais negócios

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Júlio César Moreira, presidente do INPI (Fotos: Fiepi)

 Júlio César Moreira, presidente do INPI (Fotos: Fiepi)

 
 

Classificado entre os estados brasileiros que mais avançaram no ranking nacional de inovação em dez anos, o Piauí ainda aproveita pouco o potencial de propriedade intelectual de suas empresas e de sua população. Segundo o presidente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), Júlio César Moreira, os piauienses têm capacidade inventiva, boas ideias e talento, mas ainda não conseguem transformar todo esse potencial em riqueza.

“A propriedade intelectual gera valor, mas o Piauí produz conhecimento em quantidade maior do que consegue absorver”, disse Moreira nesta quinta-feira (13), durante o seminário “O Uso Estratégico da Propriedade Intelectual para o Fortalecimento da Economia Local”,  realizado pela Associação Paulista de Propriedade Intelectual (ASPI), no Espaço S, em Teresina.

Seminário foi realizado no Espaço S Hub de Inovação

 

O seminário teve como objetivo ampliar a discussão sobre propriedade intelectual para além do Estado de São Paulo. Participaram empresários, representantes de instituições e profissionais interessados em inovação, competitividade e proteção de ativos de propriedade intelectual.

Moreira lembrou que o Piauí avançou da 21ª para a 18ª posição entre os estados mais inovadores do Brasil, segundo o Índice Brasil de Inovação e Desenvolvimento (IBID) 2025, elaborado pelo INPI.

“O estado apresenta desempenho acima do esperado em indicadores relacionados à inovação, mas ainda não conseguiu transformar isso em desenvolvimento. Por isso, estamos realizando o evento aqui no Piauí”, destacou o presidente.

Para a presidente da ASPI, Soraya Imbassahy de Mello, a realização do seminário em Teresina é necessária para que as empresas locais conheçam a importância da propriedade intelectual e da inovação para o desenvolvimento.

“Precisamos estar mais próximos das empresas. É importante participar dos eventos regionais. O Piauí tem um ecossistema de inovação extremamente rico”, afirmou Mello.

Soraya Mello, presidente da ASPI

 

 

Painéis

Durante a manhã, foram realizados dois painéis sobre inovação e propriedade intelectual nas empresas.

O primeiro, intitulado “Startups e tecnologia no Piauí”, teve a participação de Guilherme Ferreira Gomes, sócio da Ferreira Gomes Consultoria e especialista em gestão estratégica e expansão de negócios; Andreia Cavalcante, gestora de startups e deeptechs do Sebrae Piauí; e Albemerc Moura de Moraes, coordenador do Núcleo de Inovação e Transferência de Tecnologia (Nintec) da Universidade Federal do Piauí (Ufpi).

O encontro foi mediado por Maria Rebello, sócia da Quinto & Rebello Propriedade Intelectual e uma das organizadoras do evento.

Gomes detalhou o processo de criação, evolução e crescimento das startups. Ele ressaltou que muitas empresas fecham por falta de planejamento dos empresários e pelo envolvimento excessivo com o negócio.

“Já atendi vários clientes que são tão apaixonados pela ideia que não a testam no mercado e depois acabam tendo que fechar as portas”, comentou.

Guilherme Gomes, especialista em gestão estratégica

 

Gomes também defendeu maior aproximação entre universidades, faculdades e o mercado, pois, segundo ele, há muito conhecimento produzido no meio acadêmico que não é aproveitado pelas empresas.

“É importante realizar eventos como este para promover a conexão entre os atores do ecossistema”, completou.

Albemerc Moraes seguiu a mesma linha. Ele destacou a importância do Nintec para aproximar a universidade do mercado e citou ações desenvolvidas pelo núcleo com esse objetivo, como o Desafio StartUfpi 2026.

Painel I “Startups e tecnologia no Piauí”

 

Andreia Cavalcante ressaltou a importância de fortalecer o ecossistema de inovação e as startups para promover o desenvolvimento econômico do Piauí.

“O Piauí tem mais de 600 startups mapeadas pelo Sebrae, e temos atuado para fazê-las crescer e ganhar tração, pois cada startup que cresce gera riqueza e retém talentos”, comentou.

O segundo painel, “Propriedade intelectual e inovação industrial”, teve a participação dos empresários Clédima Gomes de Medeiros, diretora-presidente da Cerealista & Indústria Vale do Parnaíba Ltda. (CEVAP), e Raimundo Nonato de Albuquerque Júnior, proprietário da Hot Sat. O debate foi mediado por Islano Marques, gestor da Área Internacional e Mercado da Federação das Indústrias do Estado do Piauí (Fiepi) e gestor do Espaço S.

Painel II “Propriedade intelectual e inovação industrial”

 

Clédima Medeiros relatou como adotou a inovação em sua empresa por meio do uso de tecnologias industriais. A automação de alguns processos aumentou a produtividade, reduziu custos e melhorou a qualidade dos produtos.

“Para mim, inovar é melhorar o produto. Eu sou muito inquieta, estou sempre inovando e participando dos processos. Se um gerente meu faltar, eu vou lá e faço o trabalho, pois sou mesmo do chão da fábrica”, comentou.

Raimundo Júnior destacou que conseguiu ganhar espaço no mercado piauiense graças à inovação.

“Em 2011, fui até a China para conhecer os climatizadores de lá. Aprendemos com eles, adotamos a inovação e, hoje, a qualidade do nosso climatizador é tão boa quanto a dos equipamentos chineses ou até melhor”, afirmou o empresário.

 

Sem inovação, a empresa morre

O diretor regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) no Piauí, Roger Jacob, afirmou que a inovação é fundamental para a permanência das empresas no mercado. “Inovação é fundamental. Sem inovar, a empresa morre”, disse.

Jacob lembrou que a metodologia de ensino do Senai acompanha constantemente as transformações provocadas pela inovação. “Isso a gente faz por um motivo muito natural: a inovação é uma necessidade dentro do ambiente industrial, seja no chão da fábrica, nos laboratórios ou em qualquer espaço da indústria”, ressaltou.

Roger Jacob, diretor regional do Senai

 

Islano Marques avaliou que o seminário foi importante para levar às empresas piauienses a discussão sobre propriedade intelectual e inovação industrial. Segundo ele, o Espaço S está à disposição para contribuir com o desenvolvimento do estado.

“A realização do seminário reforça a importância da inovação, do registro de marcas e patentes e das oportunidades de ganhos que esses instrumentos podem proporcionar às empresas”, afirmou.

Islano Marques, gestor do Espaço S

 

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