Receba
nossas notícias!
WhatsApp

Indústria

Mercado Internacional

Mineradora do Canadá manifesta interesse em investir em terras raras no Piauí

Acordo inclui direito de preferência sobre outras cinco áreas, possibilitando a criação de um distrito minerário no Nordeste

Compartilhar com UTM

Link copiado! Agora você pode colar o link com UTM no seu Instagram.

 
 
Estudo revela concentrações elevadas de minerais estratégicos no leste do Piauí (foto: SGB)

 Estudo revela concentrações elevadas de minerais estratégicos no leste do Piauí (foto: SGB)

 
 

O Piauí está chamando a atenção do mercado internacional de mineração. A empresa canadense Origen Resources, listada nas bolsas de Ontário (Canadá) e Frankfurt (Alemanha), assinou uma carta de intenções para adquirir um projeto de terras raras no estado. As informações foram divulgadas no começo de novembro de 2025 no site da companhia (veja mais abaixo). 

O pacote de concessões está localizado em dois blocos no interior do estado e soma 3.978 hectares. O acordo inclui ainda direito de preferência sobre outras cinco áreas exploratórias, o que pode abrir caminho para a formação de um distrito minerário de terras raras no Nordeste, algo ainda pouco comum no Brasil.

Empresa canadense assinou carta de intenções para adquirir um projeto de terras raras no Piauí

 

O local das atividades não foi divulgado pela empresa, mas as amostras já analisadas indicaram teores de até 1,61% de óxidos totais de terras raras, índice considerado elevado para análises de superfície e suficiente para confirmar o potencial mineral da área. Além disso, um estudo divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) também confirmou a existências elementos terras raras no leste do Piauí, na borda oriental da Bacia Sedimentar do Parnaíba.

Especialistas destacam que esses elementos são fundamentais para a produção de ímãs permanentes, baterias, motores elétricos, equipamentos eletrônicos e tecnologias ligadas à transição energética e à indústria de alto valor agregado.

O estudo da Origen também avalia a possibilidade de ocorrência de depósitos do tipo argila de adsorção iônica, conhecidos como IACD. Esse modelo geológico, amplamente explorado na China, é raro e estratégico, especialmente por concentrar terras raras pesadas. Além disso, permite métodos de extração menos agressivos ao meio ambiente, quando comparados à mineração em grandes maciços rochosos.

 

Pelos termos do acordo, a Origen Resources terá 150 dias de exclusividade para conduzir a fase de análise técnica e jurídica do projeto. Caso os resultados sejam positivos, a empresa poderá assumir 90% de participação mediante o pagamento de US$ 50 mil ao vendedor, a emissão de 2 milhões de ações e um investimento mínimo de US$ 1 milhão em exploração ao longo de dois anos. Ao final desse prazo, o vendedor, que não teve o nome divulgafo, ficará com 15% das ações da companhia e um assento no conselho de administração.

Para o especialista em mineração da Investe Piauí, Fernando Antonialli,  o interesse de uma empresa canadense confirma que o estado começa a ser visto como uma nova fronteira mineral estratégica no país.

“Estamos falando de minerais críticos para a transição energética e para indústrias de alto valor agregado, e o movimento de uma empresa internacional nesse sentido demonstra que o Piauí possui potencial real para atrair capital, tecnologia e gerar desenvolvimento com impacto econômico relevante”, afirma.

Fernando Antonialli, da Investe Piauí, avalia que o Piauí tem potencial para atrair capital e tecnologia

 

Segundo ele, esse interesse é sustentado por base técnica. “Estudos e levantamentos do Serviço Geológico do Brasil vêm apontando ocorrências e concentrações relevantes de elementos associados às terras raras no leste do Piauí, especialmente na borda oriental da Bacia do Parnaíba, em áreas relacionadas a formações geológicas como a Formação Longá”, explica.

O gestor acrescenta que a Investe Piauí pretende acompanhar de perto o avanço do projeto. “Vamos buscar contato com esses investidores para entender o nível de maturação do projeto e oferecer o mesmo suporte institucional que já praticamos com grandes empreendimentos minerários, ajudando a destravar caminhos e dar segurança para que o investimento gere resultados concretos para o estado”, completa.


Leia também

Pesquisa do SGB identifica concentrações elevadas de fosfato, urânio e terras raras na Bacia do Parnaíba, no leste do Piauí

Investimentos bilionários alavancam mineração de ferro e níquel no Piauí

Investimentos realizados no Piauí por empresas de mineração


Mapa geológico do Piauí

O avanço do interesse privado ocorre em paralelo a um movimento institucional para ampliar o conhecimento geológico do Piauí. O governador Rafael Fonteles já manteve contado com a diretora-presidente do Serviço Geológico do Brasil, Sabrina Góis, para discutir parcerias e projetos voltados ao aprofundamento do mapeamento geológico e do potencial mineral do estado.

Foto: Divulgação/SGB

 

Durante o encontro, realizado em Brasília, o governador manifestou interesse em ampliar o levantamento do potencial mineral piauiense com apoio técnico do órgão federal. A ampliação desse conhecimento, segundo Fonteles, é essencial para estruturar a cadeia produtiva do setor mineral de forma planejada e sustentável. “Nosso papel é apoiar o país com base no conhecimento técnico e científico que geramos com excelência. Temos vasta experiência em pesquisas sobre geologia, recursos minerais e recursos hídricos, o que abre oportunidades concretas de parceria com o Piauí”, afirmou Sabrina.

 Diretora-presidente do SGB, Sabrina Góis, e o governador do Piauí, Rafael Fonteles (Foto: Igo Estrela/SGB)

 

Reserva de terras raras no Brasil

O Brasil detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, destacando-se como um parceiro estratégico em potencial. Os Estados Unidos estão com negociações avançadas com o governo brasileiro, que busca não apenas exportar, mas dominar as tecnologias do setor e beneficiar os minerais em território nacional. O tema estava na mesa das negociações comerciais durante o tarifaço imposto pelos EUA.

O interesse dos Estados Unidos nas terras raras do Brasil é um movimento estratégico em um cenário global marcado pela dominação chinesa do setor e pela busca por cadeias de fornecimento alternativas e seguras.

Atualmente, a China controla entre 60% e 70% da oferta global de minerais críticos. Essa concentração é vista como um risco geopolítico severo, especialmente pelos EUA, que buscam reduzir sua dependência para proteger sua supremacia tecnológica e militar.

Um levantamento do Serviço Geológico do Brasil (SGB) aponta que 12 estados brasileiros apresentam potencial para a presença de terras raras no solo: Goiás, Tocantins, Minas Gerais, Bahia, Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Pará, Rondônia, Roraima, Amazonas e Piauí.

Siga o Piauí Negócios nas redes sociais

Comentários

Mais de Indústria